terça-feira, 16 de abril de 2013

Proposição, Invocação e Dedicatória - explicação

Proposição

As três primeiras estrofes d’Os Lusíadas constituem a Proposição, elemento estrutural obrigatório do género épico. Aqui o poeta deve dizer o assunto que se propõe a “cantar”.
A Proposição d’Os Lusíadas é constituída por duas partes, a primeira formada pelas duas primeiras estrofes tem como oração principal «Cantando espalharei por toda a parte» e a segunda parte é constituída pela terceira estrofe, revela uma espécie de desafio e resume o propósito do poeta «Eu canto o peito ilustre lusitano». Nesta segunda parte o poeta afirma que os heróis portugueses são superiores aos das antigas epopeias, «sábio Grego» e o «Troiano»,  assim como aos grandes heróis reais e conquistadores «Alexandre» e «Trajano». Desta forma surge o desafio porque os portugueses são um povo «a quem Neptuno e Marte obedeceram». Os portugueses que Camões se propõe a cantar venceram os mitos porque se ultrapassaram a si mesmos.

A Proposição aponta já para os quatro planos que, a nível da estrutura interna, constituirão a matéria narrativa d’Os Lusíadas: o poema vai ser a celebração de uma Viagem, de um povo cuja história se vai cantar, por significar a vitória sobre os deuses que a eles se opunham; e tudo isto na perspetiva privilegiada do seu “cantor”, o Poeta.


Invocação
            As estrofes 4 e 5 do Canto I d’Os Lusíadas constituem a Invocação, elemento estrutural igualmente obrigatório nos poemas épicos. A Invocação destinava-se a pedir o favor das Musas que o poeta escolhia como suas protetoras – essa ajuda era indispensável para que o poeta conseguisse o estilo elevado e sublime adequado para cantar os feitos gloriosos dos portugueses.
            Camões escolhe como musas suas protetoras as Tágides, ninfas do rio Tejo. Ele pede uma inspiração elevada que o possa levar a cantar dignamente os grandiosos feitos portugueses. De resto, se o ajudarem, terão também elas o prémio de se tornarem mais célebres do que a fonte de Hipocrene (fonte inspiradora dos poetas épicos).
            Esta é a primeira invocação que o poeta faz. Contudo ele volta a fazer invocações sempre que o assunto que vai cantar necessita de novo alento. Invoca as ninfas do Tejo e do Mondego, no Canto VII e Calíope nos Cantos III e X.

Dedicatória
            A Dedicatória não é um elemento estrutural obrigatório do género épico, mas sim facultativo. Camões, contudo, faz questão de dedicar o poema a D. Sebastião, o rei que então reinava em Portugal e que o poeta vê como garantia «da Lusitana liberdade».
            Trata-se de um discurso bem organizado, em que o pólo de comunicação gira em volta do destinatário, daí a abundância da forma da segunda pessoa e do imperativo, elementos típicos de uma mensagem/apelo.      
            D. Sebastião é visto como representante do povo escolhido por Deus, como monarca poderoso, como digno descendente de seus avós D. João III e Carlos V, mas, sobretudo, como pessoa em quem se investe a esperança de continuação da ação épica, na prossecução da obra de dilatação da Fé e do Império.
            O que o poeta tem para oferecer ao rei é este seu canto de louvor dos portugueses, podendo o rei, através deste, se aperceber do real valor do povo que governa.




Sem comentários:

Enviar um comentário