domingo, 17 de janeiro de 2016

Relação entre palavras

Relação semântica entre as palavras


Sinonímia – relação de semelhança

            Palavras que têm um significado idêntico, ou muito semelhante, ou seja, que se podem substituir na mesma frase, sem lhe alterar o sentido.
Ex. lindo e bonito.

Antonímia – relação de oposição
            Palavras que têm um significado oposto, ou seja, que ao serem substituídas na frase esta fica com o sentido contrário.
Ex. calor e frio.

 

Hiperonímia/hiponímia – relação de hierarquia

      Hiperónimas são as palavras que designam o conjunto de várias espécies, enquanto as hipónimas designam as espécies contidas no conjunto. Relação com o verbo ser.
Ex. – O hiperónimo – cão – tem como hipónimos – pastor alemão, labrador, etc – O pastor alemão é um cão.

Holónimo/Merónimo – relação todo-parte

            Palavras que designam o todo e a parte. O holónimo é o todo e o merónimo é a parte. Relação com o verbo ter.
Ex. O holónimo – carro – tem como merónimos – volante, tejadilho, pneus, etc – O carro tem volante.

 

Relação fonética e gráfica entre as palavras

Homonímia
            Palavras com pronúncia e grafia igual, mas com significado diferente.
Ex. canto (canto da sala) e canto (1ªpessoa do singular do verbo cantar)

Homofonia

            Palavras com pronúncia igual, mas com grafia e significados diferentes.
Ex. nós/noz

Homografia

Palavras de grafia igual, mas com pronúncia e significados diferentes.
Ex. A roupa está seca. / A seca deste verão é gravíssima, pois não choveu o ano todo.

Paronímia
            Palavras com significado diferente, mas com grafia e essencialmente pronúncia muito parecidas, o que por vezes pode dar origem a confusão.
Ex. crer/querer

Monossemia e polissemia

Monossemia

            Palavras que possuem um único significado. (Estes casos surgem habitualmente no vocabulário técnico.)
Ex. apendicite.

 

Polissemia

Palavras polissémicas são aquelas que adquirem diferentes significados, conforme o contexto em que se encontram.
Ex. verbo partir – Ele partiu de madrugada. = ir-se embora; Ele partiu um copo. = quebrar; Ele partiu o pão ao meio. = dividir

Campo semântico, campo lexical e família de palavras

Campo semântico
            Diferentes significados que uma palavra assume mediante o contexto em que está inserida.
Ex. ter o coração na boca; ser doente do coração; pensar com o coração; não ter coração; partir o coração...

Campo lexical
            Conjunto de palavras associadas, pelo seu significado, a um determinado domínio conceptual.
Ex. O campo lexical de escolar é: professor, alunos, manuais, recreio, sala de aula, …

Família de palavras
            Conjunto de todas as palavras que se agrupam em torno de um radical comum, do qual se formaram pelos processos de derivação ou de composição.

Ex. triste, entristecer, tristonho, tristeza, …

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Crónica

Programa Ler + caro
Tenho em casa pacotes de leite com um prazo de validade superior ao de certos manuais escolares

     Milhares de pessoas entregaram esta semana uma queixa na Provedoria da Justiça porque os manuais escolares mudam todos os anos e atingem preços exorbitantes. Realmente, as pessoas queixam-se de tudo. O facto de ser preciso adquirir manuais escolares diferentes todos os anos parece uma astúcia comercial mas é, na verdade, uma estratégia pedagógica: penaliza o repetente, obrigando-o a comprar novamente o livro do ano que acabou de reprovar, mas dá-lhe uma nova oportunidade, permitindo-lhe tentar a sorte com um livro diferente daquele que lhe causou tantas dificuldades. Por outro lado, o preço dos manuais é uma lição que o estudante aprende ainda antes de ter aberto o livro: fica a saber que ainda não estudou o suficiente para deixar de ser burlado por editoras gananciosas. Também funciona como um incentivo para permanecer na escola. O aluno sente que tem de dedicar-se ao estudo até deixar de ser parvo. 
     Neste momento, tenho em casa pacotes de leite com um prazo de validade superior ao de certos manuais escolares. Pessoalmente, estou convencido de que os livros duram demasiado. Se eu mandasse, os alunos teriam de comprar um livro novo todos os trimestres. O próprio acto de adquirir o livro constituiria metade do programa de estudos. Dirigindo-se à livraria de três em três meses para adquirir novos manuais actualizados, o estudante tomaria consciência da forma como o conhecimento científico se vai substituindo a si mesmo. Compreenderia a teoria de Thomas Kuhn sobre o modo como as revoluções científicas se sucedem sem nunca ter lido o livro. Eu, que li o livro, não o percebi bem - pelo menos tão bem como entenderia se tivesse de adquirir sucessivamente livros sobre a mesma matéria por causa de pequenas alterações. 
     Por outro lado, a aquisição constante de livros caros funciona, também, como uma experiência científica. Gastar centenas de euros em manuais todos os anos permite observar o efeito da privação de alimentos no organismo. Em muitas famílias, parte do dinheiro destinado à alimentação vai para os livros; a fome gera subnutrição; o aluno estuda os efeitos da subnutrição no manual de biologia e verifica-os no próprio corpo. Não é um roubo, é uma visita de estudo permanente. 


Ricardo Araújo Pereira, (Crónica publicada na VISÃO 1176, de 17 de setembro)